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Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

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Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Terça-feira, Julho 04, 2006

A velhice e algumas ironias

Em uma das últimas entrevistas dadas pelo político Roberto Campos ao jornalista Roberto D’Avilla, ao ser perguntado sobre a velhice, respondeu: “É uma praga que, se todos viverem muito terão que enfrentar.” Ao ouvi-lo, lembrei-me de Tagore, que disse “ser a velhice uma invenção do Ocidente.”
Nasci em 15 de março de 1938, no casarão da família de Nilo Ponce de Arruda, na Rua Barão de Melgaço, onde parte da Telemat funciona. Do mesmo ano que eu são o Adelino Praeiro e o Jô Soares.
Em Florianópolis, capital onde moram meus três filhos, seis netos e um bisneto, curtíamos a praia da Armação, quando sentamos num quiosque e pedimos alguns cocos. Ao solicitar à comerciante mais um para a minha filha, a loiraça me olhou assustada: - Como, essa dona é sua filha? Poxa! Pensei que vocês fossem irmãs.” Quem ficou sem graça fui eu, porque ela envelheceu minha filha. N ao gostei.
Oscar Wilde, ao pensar a velhice, disse que “o horror da velhice é que não envelhecemos.” Mas como ser jovem se as pelancas dos braços, das pernas e do pescoço começam a balançar? Todavia, dizem os filósofos que o coração não enruga e os miolos dos velhos ficam mais sábios.
Contudo, se revirarmos as páginas da história verificaremos que a luta contra a velhice é antiga. Nefertiti usava uma mistura de gorduras de leão, crocodilo, serpente, gato, hipopótamo e bode selvagem, para evitar que seus cabelos caíssem. Imagino o perfume dessa mistura e, sinceramente, a usar isso prefiro o cheiro da velhice pura.
Cleópatra, amante de César, não o queria careca, apesar da letra do samba dizer que é dos carecas que elas gostam mais. Não é verdade. Pelo menos, a bela Cleópatra untava a cabeça do seu amor com ungüento de banha de veado, ratos queimados e pó de dente de cavalo. Que cheiro!!!
No Rio, moro em Copacabana e, diariamente faço minhas caminhadas, e vejo chegar de quase todos os apartamentos velhos, velhas, velhinhos, velhinhas, bonitos, feios, bem ou mal vestidos, de chapéu ou de boné, com idades que variam de 60 a 90

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