Zé veio num rabo de cometa
Pelo jeito, Zé veio ao mundo num rabo de cometa. Sem pai, nem mãe, dona Zabelinha, que o criou, deixou o guri cheio de baldas, elogiando-o a todos como um guri cabeça. Quem disse que ele acha cabuloso? Mas é um grande cafifa, que os pessoais evita,
O nem mãe, nem pai chegou a conhecer. Dona Zabelinha o encontrou numa lata de lixo e, penalizada, trouxe o pequeno para seu barraco. Solteira, faxineira, tinha uma vizinha que ficava em casa, e se dispôs a cuidar da criança, desde que ela lhe desse uma cesta básica por mês. Negócio fechado.
Zé txêra-txêra – era seu apelido – porque era desengonçado, catarrento, o nariz vivia escorrendo e ele lambia tudo, não que quisesse, mas não tinha ninguém para limpar-lhe o nariz. Txêra-Txêra foi o apelido ganho, pelo motivo de cheirar tudo o que conseguisse pegar, fosse uma bola, fosse um pedaço de pão, fosse uma fruta.
Dona Zabelinha se afeiçoou ao menino, sem que fosse o sonho do filho que desejava ter, mas o tampinha, nanico, 60 centímetros, ao completar um ano e meio, era um guri sozinho no mundo e quem haveria de criá-lo? Certamente, ninguém, só ela mesmo.
Tempo passando. Zé crescendo como uma tartaruga. Vagabundo, odiava tomar banho e até apanhava para entrar no chuveiro, ainda mais que a água era fria. Água quente? E o dinheiro para pagar a luz? (Zabelinha reclamava). Zé era mesmo um carinha preguiçoso que não gostava de ir à escola e muito menos estudar. Disparatado, intrometido, mexeriqueiro, caçoísta e grosseiro, deixava dona Zabelinha zonza. O que fazer com aquele garoto?
Tempo voando... Zé tinha um amigo de nome Xupapaia, também encontrado na porta da casa de dona Chiquinha e, tal qual o vizinho, escondia-se no guarda-roupa para não ir à escola. Naturalmente, levava umas tapas e ficava de castigo, mas de nada valiam os corretivos. Xupapaia só gostava de soltar pipa, ao lado de Zé. Um era melhor que o outro naquela arte.
Certo dia, Zé perguntou ao amigo: - Vem cá, Xupapaia, será que se eu mandar um recado pra Deus, no rabo desta pipa, será que ele me responde?
- Pode até sê, Zé! Tenho dúvida se Deus gosta de pobre... Num acredito, não mermo. Pobre passa fome, pobre não tem roupa e nem sapato, pobre nem chuveiro quente tem, só água gelada... Ocê acha que Deus vai dar pelota pra gente? Vai não. Esquece. Não perca seu tempo com bilhetinhos pro céu.
- Pois é, Xupapaia, queria tanto que Deus mandasse me falá quem é minha mãe. Como ela é. Loura, negra ou morena? Tem olhos bonitos? Gorda ou magra? Por que me abandonou na porta de dona Zabelinha? Pai, eu num ligo, mas mãe, ah!, eu queria pelo menos ver uma vezinnha só. Será que ela tem este nariz chato, que nem o meu? E este corpo desengonçado?
- Larga de bobagem! Você já tem doze anos, que nem eu, e pra que quer procurar sua mãe?
- Ué, porque eu quero! Não é você que vai me proibir! Ô menino chato!
O nem mãe, nem pai chegou a conhecer. Dona Zabelinha o encontrou numa lata de lixo e, penalizada, trouxe o pequeno para seu barraco. Solteira, faxineira, tinha uma vizinha que ficava em casa, e se dispôs a cuidar da criança, desde que ela lhe desse uma cesta básica por mês. Negócio fechado.
Zé txêra-txêra – era seu apelido – porque era desengonçado, catarrento, o nariz vivia escorrendo e ele lambia tudo, não que quisesse, mas não tinha ninguém para limpar-lhe o nariz. Txêra-Txêra foi o apelido ganho, pelo motivo de cheirar tudo o que conseguisse pegar, fosse uma bola, fosse um pedaço de pão, fosse uma fruta.
Dona Zabelinha se afeiçoou ao menino, sem que fosse o sonho do filho que desejava ter, mas o tampinha, nanico, 60 centímetros, ao completar um ano e meio, era um guri sozinho no mundo e quem haveria de criá-lo? Certamente, ninguém, só ela mesmo.
Tempo passando. Zé crescendo como uma tartaruga. Vagabundo, odiava tomar banho e até apanhava para entrar no chuveiro, ainda mais que a água era fria. Água quente? E o dinheiro para pagar a luz? (Zabelinha reclamava). Zé era mesmo um carinha preguiçoso que não gostava de ir à escola e muito menos estudar. Disparatado, intrometido, mexeriqueiro, caçoísta e grosseiro, deixava dona Zabelinha zonza. O que fazer com aquele garoto?
Tempo voando... Zé tinha um amigo de nome Xupapaia, também encontrado na porta da casa de dona Chiquinha e, tal qual o vizinho, escondia-se no guarda-roupa para não ir à escola. Naturalmente, levava umas tapas e ficava de castigo, mas de nada valiam os corretivos. Xupapaia só gostava de soltar pipa, ao lado de Zé. Um era melhor que o outro naquela arte.
Certo dia, Zé perguntou ao amigo: - Vem cá, Xupapaia, será que se eu mandar um recado pra Deus, no rabo desta pipa, será que ele me responde?
- Pode até sê, Zé! Tenho dúvida se Deus gosta de pobre... Num acredito, não mermo. Pobre passa fome, pobre não tem roupa e nem sapato, pobre nem chuveiro quente tem, só água gelada... Ocê acha que Deus vai dar pelota pra gente? Vai não. Esquece. Não perca seu tempo com bilhetinhos pro céu.
- Pois é, Xupapaia, queria tanto que Deus mandasse me falá quem é minha mãe. Como ela é. Loura, negra ou morena? Tem olhos bonitos? Gorda ou magra? Por que me abandonou na porta de dona Zabelinha? Pai, eu num ligo, mas mãe, ah!, eu queria pelo menos ver uma vezinnha só. Será que ela tem este nariz chato, que nem o meu? E este corpo desengonçado?
- Larga de bobagem! Você já tem doze anos, que nem eu, e pra que quer procurar sua mãe?
- Ué, porque eu quero! Não é você que vai me proibir! Ô menino chato!

