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Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

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Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Cheiros que não esqueço.



Talvez seja este friozinho gostoso... Talvez seja o acontecimento próximo de ser aniveresário do Fabrício, meu bisneto, em 4 de agosto próximo, em Florianópolis, SC. Completa 2 aninhos e já é dono de blog. Chique, não? Talvez seja a possibilidade de ir a Cuba... Talvez seja este fogo da paixão entre Gilberto e eu, em plena Melhor Idade...Enfim, há inúmeros fatores que me elevam a Alfa.
Mas, pensando bem, quais são mesmo as melhores coisas do mundo? Bem, acho que é o fato de ter nascido em Cuiabá, na antiga rua do Campo (atual Barão de Melgaço), quando nossos vizinhos eram dona Maria Inês França, Sr. Edézio Gouveia, dona Maria Dimpina, vó Aracy Santiago de Lima (madrasta da mamãe), dona Violeta Santiago, dona Julieta - de Cabo Boi e muita gente boa que nunca vou esquecer.
Outra coisa que me fascina é viajar. A gente deixa para trás a rotina e os problemas de sempre do nosso País, sentadinha num avião da Air France, rumo a Paris. Que beleza! Amo Paris e todas as suas maravilhas: Palais Royal (Champs Elysées), Museu du Louvre, Musée de l”Orangerie dês Tuileries, Musée National Auguste Rodin, Arc de Tromphe, Pyramide du Louvre, Tour Eiffel, Opera National de Paris – Bastille e por aí vai. Circular na Madison, com a carteira cheia de euros, massageia qualquer ego, não é mesmo?
Outros prazeres, porém, existem aos montes e nos fazem um bem danado. Prazeres mais simples e bem mais em conta, que de tão bons nem se percebe.
Puxa vida, que beleza, num domingo nublado como o de hoje (24 de julho de 2006), Dia do Cheiro, instituído por mim, assistir a missa deitada na cama, ouvir boas palavras do padre, ir até a geladeira e comer um doce de caju (delicadeza da amiga Yasmin Nadaf, que me trouxe um vidro grande de Cuiabá), reler algumas cartas de parentes e amigos. Que vidão!
Só, depois de beber um copo de vinho chileno, quando começa a escurecer, tomo um banho de água morna que me faz carinho pelo corpo; visto um pijama branco de bolinha azul e venho para o computador. Como gosto de bater-papo com vocês!
O telefone tocou poucas vezes, ou seja, bati papo com minha irmã Dely, que mora em Curitiba; com o mano João Pedro (CPA – Cuiabá), com minha neta Marcíola (Florianópolis), com Gilberto (meu amor), com Helinha (minha prima preferida). Basta!
De repente, veio sei lá de onde aquele cheiro doce de manga. Ai, eu quero chupar manga, não a manga do Rio de Janeiro, mas a de Cuiabá. Aquelas mangas deliciosas do quintal do mano Nilo. O olfato é bandido, não é? Por que me mandou este cheiro se estou tão distante da minha Cuiabá?
Daria o meu reino por meia dúzia de mangas bourbon, daquelas pintadas de preto, doces, doces, doces... Queria me lambuzar e sujar a roupa de amarelo. Ufa! Que gostosura!
Outro cheiro? Sim, o de pequi. Arroz com pequi?!... Sim, quero comer arroz com pequi feito pela Maria Regina Levente. Faz para mim, Maria, quando eu for aí, sim? Não consigo esquecer o sabor das comidas feitas por esta grande e bondosa amiga. O Paulo vai bem? Um abraço no casal.
Então, internautas amigos, através destas narinas pronunciadas (próprias de quem nasceu Ponce de Arruda) sentir o perfume agri-doce da minha gente boa, honesta, hospitaleira, famílias sólidas, afetos duradouros, gente em quem se pode confiar. Como foi bom saber ter vivido trinta e quatro ano de meus sessenta e oitoanos meio ao meu povo alegre e brincalhão, além de ser cheirosa. Cheiro de cajá? Caju? Banana sarta-veiaco? Gosto do cheirinho bom da carne-com-banana feito pelas mãos mágicas da mamãe. Poxa vida, babei... Cheiro do bolo-de-queijo do amigo Carlinhos Menina Moça. Cheiro do guaraná do Bom Baiano. Cheiro da bananinha do Vadô. Cheiro dos jasmins da minha ex-casa da Estevão de Mendonça. Cheiro do quibe da saudosa dona Ivone Badre de Mendonça.
É fantástica a memória, não é mesmo? Memória olfativa... Mas é triste e dói saber que muitos desses cheiros nunca mais vão voltar... A pitomba, a coroa-de-frade, a marmelada, o cajá, o caju, a goiaba vermelha, a lima da Pérsia, o melado, a garapa de tio Olavo, a galinha que dona Juju Haidamus matava no quintal para ir à caçarola e a gente ouvia os cocoricós desesperados da bichinha, a gemada feita com o ovo saído do cu da galinha (na hora), bem batida e misturada com farinha e canela. Quem pode esquecer?
São cheiros eternos.
Acredito que vamos levar esses cheiros para as nossas próximas paradas da vida superior. Que bom! Quero levar o cheiro verdinho da minha amada Cuiabá!

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