User-agent: Mediapartners-Google* Disallow:

Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

Minha foto
Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Sábado, Agosto 12, 2006

Juno e suas amigas de praia


Lá vai ela com seu chapeuzinho branco, vestido próprio para praia e a cadeirinha, para se reunir com as amigas de mais de 30 anos. Todas têm, mais de 60 e a conversa gira em torno dos preços especiais de tal mercado, a peça a ser vista no sábado, o último filme e o problema do condomínio cada vez mais alto. “De Copacabana não mudo – diz Juno – porque moro no mesmo bairro e no mesmo apartamento há 45 anos. A síndica que vai ter que dar o fora, porque nunca vi uma mulher tão incompetente!”

Na manhã ensolarada de inverno-verão, o sol bate nos corpos como uma carícia vinda dos céus, e uma das amigas de Juno pede para fazer uma prece ao SOL. Mesmo sentada, elas fecham os olhos e estendem as mãos em direção ao sol.

Num pequeno espaço de tempo surge uma bela mulher, junto da babá, e três filhos. Um de 15, outro de 13 e a pequenina de 2 anos, foi o que presumi. Traz na bolsa brinquedos para o caçula, uma bola de futebol para os dois maiores que, imediatamente, passam a chutar sem prestar atenção nos demais banhistas.

Juno, como não tem papas na língua, diz: - Ei, garotos, vocês vão acabar por chutar as nossas cabeças. Olha lá, tem um espaço onde poderão jogar futebol. Já são uns oito e mais vocês dois formará quase um time. Não se incomodem, porque daqui a pouco chegarão outros com vontade de jogar futebol.

A mãe, que deve ter uns 38 anos, olha com cara enfezada para Juno e responde:

- Não exagere, porque eles nem têm tamanha força para chutar nas suas cabeças. Tá bem que há um lugar apropriado para isso. Mas que você está se metendo onde não é chamada e quer criar um barraco, não há dúvida.

- Então não vê que aqui só tem senhoras da Melhor Idade?

- Pois acho que deveriam ficar em casa fazendo tricô ou crochê, ou contando historinhas para os netos.

- Veja só, a outra quer dar lição para senhoras da Terceira Idade. Você não tem mãe, minha filha? Pense bem antes de jogar as palavras ao ar.

- Tenho mãe com 64 anos, mas seu divertimento é jogar baralho com as amigas, na sala de jantar. Vez ou outra vai ao Cassino e pede ou ganha, mas não gosta de praia. Sabe por quê? Acha que praia é lugar de pessoas novas e da garotada.

- Quer dizer que sua mãezinha é daquelas velhinhas que gastam todo o salário nas mesas do Cassino? Pobrezinha! Se viesse à praia não perderia tanta grana, além de tomar esse sol bem-aventurado que nos ajuda nos problemas de osteoporose. Não vai dizer que sua mãe não tem osteoporose, por acaso?

- Claro que tem. Até toma uma medicação que tem que andar uma hora, mas prefere fazer caminhada daqui do Posto 5 ao Leme. É enxuta! Viúva, tem até um coronel da Aeronáutica que vive a convidando para jantar fora e ir às peças teatrais. Ela sabe viver e não arma barraco com quem quer que seja.

- Desculpe-me! Vamos fazer as pazes. Como é seu nome?

- Regina Lúcia, advogada, promotora, e meu esposo é industrial do ramo de móveis. É proprietário de uma das casas que estão localizadas na subida de Teresópolis. São móveis de primeira linha e vocês até poderiam ar uma olhada, porque vou dar meu cartão a vocês, pois ele faz um bom desconto para meus conhecidos.

- Dá certo promotora e industrial?

- Nada a ver, por quê? Vocês acham que o casal sendo da mesma profissão dá mais certo? Ledo engano, pois tenho uma vizinha em que os dois são médicos e, às vezes, dá para ouvir os berros dos dois. Pelo menos, a Marcela e o Onofre, sei não, desconfio que não vão ficar casados por muito tempo. Diga-se, que sem querer, no shopping Rio Sul o encontrei de beijos e abraços com uma mulata bem bonita e jovem.

- É casamento de hoje em dia é difícil durar. Minha neta já casou três vezes, aliás, juntam-se e dizem-se casados. A Leda não é fácil! – diz Juno. Fico sem graça, porque tem um filho de cada pai e o interessante é que se dão muito bem. Nos fins de semana, cada uma sai com seu pai e some por aí. Não acho bom tal prática, mas vá dizer a ela que esse negócio está errado para ver a resposta. Não...não...não... Ela mora no Recreio e eu em Copacabana. Nas datas comemorativas sempre aparece com um pacote de bombom suíço. Que delícia! Sou chocólatra, e sei que me faz mal. Mas amo chocolate!

- Taí, empatamos, porque é o que mais o Dácio reclama, quando me vê a deliciar-me com chocolates e as crianças entram no mesmo embalo. Fico um mês fazendo regime, mas de repente passo por uma das lojas de chocolate e não resisto, entro e compro pelo menos uma caixa de “língua de gato”.

- Venha para cá, pois as crianças já se enturmaram com os garotos do futebol, o pequeno monta seus castelos com a areia e os brinquedos. Venha! – repetiu Juno!

- Regina Lúcia pegou sua bolsa de praia, a cadeirinha e uniu-a a elas. Ninguém observava ninguém, mas o papo estava bom.

- Sabe, Regina – posso chamá-la assim? Sou velha mais também tenho um companheiro de mais de trinta anos. O Aderbal foi médico ginecologista, mas hoje está aposentado. Assim que enviuvou, no começo andava tristonho e macambúzio. Foi na farmácia, onde comprava meus remédios que o encontrei, fazendo a mesma coisa que eu. Comprou vitamina C e me recomendou para tomar diariamente, porque ajuda a não pegar resfriado. Aceitei o palpite. Não é que já toma Cewin a mais de 20 anos e é difícil uma gripe me pegar? Mas a tal da vacina que o governo dá nos velhinhos, eu hein? Não tomo de forma alguma.

- Por quê? – perguntou Regina.

- Ora, Lula tem prevenção com os inativos e ia dar injeção para prolongar nossa vida? Du-vi-d-o-dó! Quer é matar os velhos que agora tem vida mais longa. Prefiro pagar para uma firma particular que vende vacinas. Ah! Minha filha se for acreditar nesse verdugo com cara de bode, os brasileiros vão todos para o cemitério. Se nem que já comprei direito a ser cremada, porque não admito que os vermes comam a minha carne. Não há nada melhor que um dia após o outro, porque o Lula da Silva vai ficar velho, se não morrer. Aí que eu quero ver como vai se portar, na Terceira Idade, tanto ele como a Marisa, que é de dupla cidadania. Vai ver vão morar na Europa?!...

- Você, Juno, já pensou em quem vai votar?

- Sim. É na Heloísa Helena, porque o chuchu de São Paulo não tem jeito de Presidente. È devagar! Próprio para as classes A e B, porque não tem achego com a pobreza. A Eloísa fala o que vem na cabeça e pronto! Já imaginou se o Brasil tiver uma Presidenta? Legal pra caramba. Eu vou até dançar na Estudantina para comemorar, claro, com o meu Aderbar de Lemos. O velhinho gosta de dançar e bem!

- Pois eu vou votar no Alckmin, porque o acho um homem sério, de palavras justas e coesas. Não o acho pacato, mas bem-educado. Lá em casa, tanto eu como meu marido vamos dar o voto pra ele.

- E aqui no Rio?

- Ah! Estou com a juíza que teve coragem de enfrentar os bicheiros. Mulher corajosa, não acham? O Crivella é aquele evangélico chato que aposta suas fichas, se eleito, no metrô de superfície. Diz mesmo que vai deixar concluído o metrô para Niterói. Evangélico, sei lá, mas não acredito neles. Os outros, nem me interessa analisar. São todos uns imbecis!

- Nem tanto! Como voto é secreto, fico na minha.

- Que tal falar sobe o problema do Líbano e a Palestina? Leio diariamente as crônicas do Fausto Wolf, que ataca Israel. A bem da verdade, ele nos chama atenção para o perigo chamado cultura, no JB de hoje, sábado. Alerta-nos sobre a interrupção cultural ao ser interrompida pelo poder, e o povo é impedido de se impor culturalmente, ao aprisionarem seu espírito, então o homem se transforma num macaco de imitação, da classe dominante, que o mantém longe das boas escolas, museus, universidades. Aqueles de estômago vazio passam a assimilar porcarias estrangeiras (funk, rap e outras mais) e cantarolam letras de músicas que não sabem o que significa. É o espírito que no difere dos animais. É de cultura que o brasileiro necessita! “O neoliberalismo odeia a cultura porque a cultura formas cidadãos e os cidadãos indagam.” Quanto pior as notícias dos jornais, melhor! Fausto está cansado de clamar pela cultura em todos os ministérios. Pois ela é que molda o caráter do homem e o faz trabalhar em conjunto por um país melhor, já que com ela, ele entende o homem e a sociedade. Veja, vocês, inicialmente a conversa entre nós não foi legal, mas como somos cultas, agora estamos unidas a trocar idéia. È cinema. É teatro. É show! Os ingressos para os de mais de 65 anos custam e metade. Quem de vocês viu “Descoberta das Américas” com o Júlio Adrião. Que monólogo inteligente e que fazia a platéia ficar silenciosa o tempo todo. Esse ator vai longe! Foi até considerado a revelação do ano 2005. Quero ver esse jovem nas grimpas, porque é talentoso!

- Eu vi – disse Juno – e saí de lá arrepiada, pelo talento do jovem ator. Coitado, dizem que em cada peça perde de um a dois quilos. Olha que ele já é magro! Tomara que saiba se alimentar bem! Ainda quero ouvir falar sobre ele em outras peças teatrais. Vai ver a Globo já fez convite para ele entrar nas novelinhas globais. Tomara que não aceite, porque a Globo faz lavagem cerebral na sua gente.

- Está vendo? Uma manhã de praia de sol especial, nossa turma se compreendendo e, para terminar, vou ver o filme sobre a Zuzu Angel, no Roxy, com o maridão. Depois a gente janta fora, joga um bocado de conversa fora e.... Segredo!

Estava na hora do almoço e cada um foi-se arrumando para ir embora. A Juno não esqueceu de convidar a Regina para fazer parte do grupo, como a caçulinha. Dá sorte!

Todos sorriram.

Denise, a antropóloga que não chegou aos 40 anos.


Denise Maldi Meirelles foi esposa do indianista Ivo Meirelles, filho do Chico Meirelles, ela, antropóloga e ele, indigenista, enfiaram-se nas matas da Amazônia e tiveram contato com a tribo Uru-Ew, Wai-Wai, onde o poeta e escritor Rubens de Mendonça, dias antes de falecer, me contou que vivia meu tio Amaro Rodrigues de Lima, irmão da mamãe. Um cortador de madeira foi encontrado morto numa cabana e, no maço de cigarro vazio ficou escrito o nome de Amaro Rodrigues de Lima. Era um dos dezesseis irmãos da minha mãe, desaparecido.

Denise e Meirelles tiveram em contato com a tribo comandada pelo Cacique Careca, que era tio Amaro. Este, após a morte de seu pai, desiludido com a vida, foi levar uns pesquisadores a diversas tribos de Mato Grosso. Fiquei sabendo que numa dessas, ele se machucou e os norte-americanos tiveram que deixá-lo onde estava e seguiram em frente. Deus é Pai! Pois os índios da tribo Uru-EW-Wai-Wai o encontraram e levaram-no para a tribo. Com o passar do tempo, não só aprendeu a falar a língua daqueles índios, como foi impondo suas idéias passadas pelo seu pai a ele. A tribo era diferente das outras e, tampouco se deixassem montes de presentes, nenhum deles pegava. Eram de uma liberdade extremada e não queriam aproximação com os tais “civilizados”.

Denise me contou que tio Amaro era de tal forma apegado a àquela tribo ou teria feito um tratado verbal com eles, pois tentaram falar em português com ele, e meneava a cabeça negativamente. Só falava a língua dos índios dos quais era cacique. Ele, da FUNAI, tinha certeza de que o cacique era branco, porque índio não fica careca. Daí lhe chamarem de “Cacique Careca” e também se uniu a várias índias e tinha mais de uma dúzia de filhos. Mostrou-me a fotografia dele com os filhos e, entre ele, vi um parecido com a mamãe.

Pedi autorização para ir até lá, mas me aconselharam a não fazer isso, pois tão logo os índios percebessem nosso laço familiar, poderiam me manter refém por ter descoberto seu segredo. Desisti, pois nada me fazia desejar viver como uma índia, nem saúde tenho para isso, já que sou asmática.

Tio Amaro era ligadíssimo a seu pai – João Bento Rodrigues de Lima – que nos anos 20 já lia Marx e Engels, apesar de ser barbeiro. Ora, quem fazia barba com ele eram os senadores, deputados e pessoas cultas de Cuiabá, pois enquanto trabalhava batia um papo quente som sua clientela.

Ao entrevistar, nos anos 90, Dr. Mariano de Souza, médico e dono de um centro espírita na Rua Riachuelo, e em seguida o ex-senador João Villas-Boas, ao tomarem conhecimento de que eu era neta de João Bento, ambos teceram altos elogios à coragem e à inteligência de vovô, a quem não conheci, pois faleceu antes de eu nascer.

Bem, quero falar de Denise, que após dias conturbados com o Meirelles, terminou por entrar com processo de divórcio na Vara de Família, no qual alegava incompatibilidade de gênios. Saiu o divórcio, mas ao conversar com a minha amiga, professora de Antropologia na Universidade Federal de Mato Grosso, percebia nas entrelinhas que ainda amava o ex-marido. Ficou com filhos: Tainá e Francisco, dos quais cuidava com muitos cuidados e amor. Era uma mãe extremada.

Um dia, porém, Denise sumiu e sequer me deixou um bilhete, porque também eu trabalhava na Assessoria de Imprensa da UFMT. Depois de uns quinze dias, o motorista dela me entregou um pacote, que abri de imediato. Era um livro denominado “O nome das coisas”, de Luiz Carlos Lisboa. A dedicatória dizia: “Marta, comprei num sebo de Campo Grande este livro. Lembrei-me de você. Com carinho, Denise”.

Os artigos desse livro falam de “Renascimento pelo Espírito”, “Dois velhos modelos” e, para resumir, os temas são correlatos e juntam-se num todo articulado e coerente que forma, se bem observado, uma surpreendente unidade: conhecimento, comunicação e natureza – que vistos de perto, interpenetram-se de maneira a tornar difícil uma separação. É a visão do mundo, simples e que se recusa de forma tranqüila a compactuar com valores adotados por pela maioria dos civilizados.

Na verdade, não li todos os artigos, porque não faziam a minha cabeça.

Porém, quanto à Denise Maldi (tirou o Meirelles), em certa tarde a secretária da Assessoria de Comunicação me passou o telefone. Fiquei chocada com o que ouvi: “Era sua mãe, residente em Goiânia, onde têm uma rede de casas de pneus – Pneulândia -, a chorar e avisar-me que Denise foi para um novo patamar. Faleceu no dia anterior, em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, de câncer generalizado. Chorei junto dela, que me disse que Denise falava muito sobre mim e seu eu pudesse, mandaria uma passagem aérea para ir ao enterro”. Não pude ir, porque no dia seguinte ia começar um Seminário de Comunicação, do qual não poderia me afastar. Fazia parte de uma das mesas.

O choque, no entanto, não passou rápido, porque a conheci desde que fez o concurso para a cadeira de Antropologia e, meses depois, lançou um livro, onde fui a primeira jornalista a entrevistá-la. Conversamos umas três horas, além do tempo da entrevista. Rimos bastante dos homens, pois ela sabia contar piadas como ninguém. Muitas vezes me convidava para ir a Santo Antonio, para conversarmos com os ribeirinhos. Ela tirava suas conclusões para a Antropologia, e eu anotava os nomes novos que desconhecia.

Na verdade, ao viajar rumo a São Paulo, foi fazer um check-up e descobriu a malvada da doença que a levou em questão de meses.

Recordei-me do último telefonema que me fez, ao dizer que enjoara do namorado, norte-americano por causa do sotaque carregado. – Ah! Ficar ouvindo esses ianques não é fácil, e o mandei plantar batata. Ele nem entendeu, plan-tarrrr ba-ta-ta, que é isso?

- Estou acabando o nosso relacionamento, ok?

- Ora, não esperava por isso, porque até já agendei uma viagem para o mês de janeiro, quando íamos conhecer os índios tupi-guaranis. Por que você faz isso comigo?

- Não me amole, Gerald, porque já estou com novo romance por aqui. É um brasileiro formado em Botânica e chama-se Frederico. Desculpe-me, mas passou nosso tempo. Depois ria à beça: há...há...há... Ficar suportando esse sotaque horrível, eu hein? Cansei.

Denise morava numa casa confortável, com piscina e sala de aparelhos para fazer exercícios, porque detestava ficar gorda. Nada de gorduras com ela, só comia arroz integral, legumes cozidos em panela apropriada (no bafo), carne de peixe branca, carne de galinha, de vez em quando, e carne bovina, jamais! A filha Tainá seguia a dieta da mãe, pois nos seus 14 anos, por que haveria de ser gorda. Nunca! – disse-me certa vez. Francisco saiu ao pai e lhe deu um pouco de trabalho, porque descobriu que andava fumando maconha. Não cedeu, foi à luta com suas garras fortes e, finalmente, Chico largou o vício de lado. Sorridente, contou-me que conseguira acabar com o vício do filho. Vou-lhe dar um carro no dia do seu aniversário! Tainá já tem o dela... Se bem que anda me pedindo para trocar por um novo tipo: Corolla. Isto é, se meus pais pagarem a conta, eu dou!

O sorriso de Denise ainda posso ouvir agora, porque era uma risada aberta e sincera. Já sonhei com ela umas duas vezes... Ela me apareceu linda, como era, com seus olhos azuis, e me disse: - Nada como morrer! A Terra não vale nada! Um dia você vai sentir o quanto é ruim viver entre os terráqueos! Desapareceu, a seguir.

Seu ex-marido – Ivo Meirelles – li nos jornais que um bandidinho quis lhe roubar o celular, em Manaus, ele reagiu e levou um tiro mortal. Na TV vi a Tainá no seu enterro jogando pétalas de rosas no jazigo do pai. Notei que não é tão bonita como era sua mãe, mas têm os mesmos olhos. Não vi o Chico, talvez esteja fazendo curso de especialização na Inglaterra, pois me falou que não moraria eternamente no Brasil.

Ficou comigo o livro e sua foto, linda, linda, linda!

Hoje sinto saudades de Denise.

Vocabulário do Falar cuiabano, organizado pelo jornalista Pedro da Rocha Jucá, em seu blog: http://varandacuiabana.blogspot.com

Bafo-de-onça = boca com mau hálito, geralmente com cheiro de cachaça.

Bachero =Peça de pano e a ela do animal, bagunça.

Trieiro = caminho.

Remancha = mexe demais.

Porqueras = gente de má fama.

Cabuloso = causa constrangimento, chato.

Bocado = bastante.

Reiva = raiva

Fuá =briga.

Atropelam = põe o outro para correr.

De baldas = Dê mania pro outro.

Boquejar = discutir feio.

Bronco = envelhecido, impotente.

Discabela = fica com o cabelo despenteado, arrepiado.

Emburacadas = buracos na estrada.

Bamburros = lugar cheio de mato, que não foi limpo.

Bocudos = falador, gente de boca grande.

Boferas =porcaria, não presta, pessoa ou coisa feia.

Às animais arisco gafas = Os cavalos quando saem em disparada, assustados.

Batuta = de boas qualidades.

Afrontado = xingado, ameaçado.

Arribar = dar o fora.

Atropelam = põe o outra paz correr;

Homem batuta = Homem de boas qualidades.

Afrontado = Xingado, ameaçado.

Cio = fogo no tempo determinado, com vontade de fazer o sexo.

Mariquinha = afeminado, homossexual.

Moringa = cabeça.

Cê é besta? = Você é bobo?

Não tira farinha = não mexe comigo que sai perdendo.

Bocuda =faladeira, de boca grande.

Bacalhau de porta de venda= Pessoa magra, de físico fraco.

Bata num quara = Como lava, veste. Bateu, levou.

Bocó de fivela = Quem é bobo, ignorante, tolo,

Bom de más =Muito bom, em exagero.

Demás = muito, em excesso.

Cafezinhos = Pequena ave, de cor preto-avermelhada e bico amarela, que existe muito no cerrado.

Caçoa = Rir de algo ou de alguém.

Cabreira = desconfiada.

Capea = protege ou adula alguém.

Catingueiros =veado pantaneiro, avermelhado.

Carrea = carregar.

Chocho = vazio.

Pacová = preguiçoso.

Paspalhão = abobalhado, tolo.

Peitudo = valente, corajoso.

Perjuízo = prejuízo.

Ponhar = colocar, pôr.

Reiadas – uma coça de couro no lombo.

online