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Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

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Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Livre sonhar é só sonhar!

Li e me agradei de um artigo da TV Carta Maior, artigo de Flavio Aguiar, que se intitula “Heloísa Helena e Lula no segundo turno, já pensou?” Se pensei, meu colega Flávio, porque inicialmente pensava em dar meu voto ao Alckmin, mas nos debates da TV fui-me decepcionando como o picolé de chuchu e, ao ouvir a Heloísa Helena, pelo contrário, levantou meu astral e raciocinei: “É de uma mulher como essa que o Brasil precisa para levantar seu moral e dignidade!”

De acordo com Ricardo Boechat, na coluna da Hilde Angele: (..) sobre os debates dos candidatos a presidente, que ele mediou na Band e que mais parecia um chá de velhinhos, às 5 da tarde, na Academia Brasileira de Letras: “a única maneira de eu abrilhantar aquele debate seria dar uma graxa no meu sapato”...

Todavia, para mim a Heloisa brilhou.

Meu voto será dela, no dia 1º de outubro, domingo, como mais de vinte amigas que já me contaram que desejam uma Presidenta. Nada de homem, porque esse último aí negou todas as esperanças do povo. Prometeu e não cumpriu. Era da esquerda e tornou-se neoliberal. Pior que o FHC, porque este tem uma cultura fantástica e, desde que fazia o Curso de Comunicação, lia seus artigos. Por sinal, ótimos!

Sem dúvida, quem imaginou que a Heloisa Helena ia ofuscar o Lula, saudada por tucanos e pefelês como a maior forte para garantir o segundo turno, hoje, seus aliados da imprensa se preocupam com a chance de a senadora acabar com a certeza absoluta de que tem o Lula que será novamente Presidente da República. Há...há...há...

O coleguinha – Flavio Aguiar – pensa no pesadelo que estão tendo tucanos e o pessoal do PFL, porque nasce uma estrela em Belém e Deus aponta os dedos para a alagoana, mulher honrada e justa, que provavelmente será a primeira Presidenta do País.

Sou bruxa e já andei conversando com alguns espíritos de luzes e, pelo que me disseram em total segredo, creio que na verdade a mulher terá novo crescimento na ordem das coisas brasileiras. Olá, Luisa Helena! Que Deus a guarde e proteja em seus santos caminhos!

E agora, hein, dona Marisa e Presidente Lula da Silva, parece-nos que há possibilidade de a senadora passar para o primeiro lugar e ofuscar por completo o candidato paulistano. Vocês, que já têm dupla cidadania, vão morar na Itália?

Além de Heloisa tira votos de Geraldo Alckmin, as novas previsões da Data-Folha e demais, por certo, deverão mostrar o crescimento de Heloisa Helena, a candidata que está sempre vestida com a sua blusa branca e muito tutano na cabeça para poder transformar o Brasil numa terra melhor, porque estamos cansados com essa porção de porcalhões que inundam a imagem política brasileira.

Coitado do Alckmin que até hoje não conseguiu varar e chegar ao patamar de ser o candidato da direita brasileira. Ficou estacionado entre 35 a 30% de acordo com a região. Encontra-se a muitas léguas de alcançar o Lula. Todavia, se a Luiza Helena tomar Emulsão de Scott, vai deslizar acima do Lula da Silva e, queira Deus, que seu barco deslize para as zonas da próxima vitória.

Acredito que o eleitorado brasileiro não seja tão besta de acreditar no homem que numa ouviu, falou ou cheirou as maracutaias de seus assessores mais diretos. Lula é o Presidente que se recusou a valorizar o social como marca de governo. Seu filho, repentinamente, tornou-se um novo rico, e tomara que consiga segurar os reais para não voltar a ser um pobre do ABC.

Suba Heloisa Helena!! Suba mais e mais e alcance o alto da cena política, porque – nós mulheres – temos mais juízo que os homens, e você há de provar ao mundo que a mulher brasileira é honesta. Ouve o que dizem seus eleitores, fala o que pensa, cheira quando a podridão está pior que merda. Suba, Heloisa Helena, suba! Porque você tem muitos valores a oferecer ao nosso querido País!

Apesar de você ser da terra do Fernando Collor, não é a região que faz o ladrão, e certamente você é o novo fator da inteligência de nosso País. Ofusque o barbudinho que pensa que tem o futuro garantido! Ora, então você não tem o dom das palavras e diz as palavras certas para cada momento? Tenho ouvido seus discursos e, sinceramente, me convenço mais que a Presidenta do Brasil será você – Heloisa Helena. Tome sentido e se conscientize de que o povo está debilitado com as ações da direita e quer ver o que a esquerda pode fazer pelo bem do Brasil. Siga avante e vá mais para a esquerda, eu lhe peço, a discutir projetos e políticas sociais, e sem nenhuma dúvida, você estará eleita por sua bela e transparente qualidade de ser humano.

E como diz o professor Flávio Aguiar, da cadeira de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP), onde a minha sobrinha Márcia de Arruda Franco, também é mestra em Literatura, portanto sua colega, além de você ser editor da TV Carta Maior, e terminou seu artigo com as palavras do Mestre Millôr Fernandes:

Livre sonhar é só sonhar!

Amor nascido no Seminário sobre a “Flora Brasileira”


Cidara veio de Paris, porque seu marido, jornalista, morreu vítima de um infarto. Não quis ficar isolada na “Cidade Luz”, se bem que possuía um belo apartamento perto do Champs Elisées. A floreira de seu apartamento nunca esteve tão bonita e, a vizinha de apartamento, no elevador, elogiava seus cuidados com as margaridas.

- É que venho de uma terra onde não só há flores de diferentes espécies, como matas inteiras que nos trazem seu perfume e enchem nossos pulmões do mais puro oxigênio.

- De onde és? – perguntou à vizinha, uma loura e olhos verdes.

- Sou de Cuiabá, Capital de Mato Grosso. Vim para Paris, novamente, porém já havia morado aqui durante meu primeiro casamento com o Albert, jornalista especializado em plantas exóticas. Depois conheci o Jean Jacques num seminário sobre Flora Brasileira. Nós dois ficamos encantados com aulas do professor Luchese, pois nos falava de modo tão natural que até parecia que estávamos entre as flores e, se quiser crer, acredite, pois até podíamos sentir os perfumes emanados das flores das quais falava. De ambas as partes ficou patente o amor pelas flores, então o Jean Jacques que veio passar uma semana em São Paulo, adiou a passagem para mais trinta dias.

- O seminário demorou tanto tempo?

- Não, nós dois passamos a fazer um estudo particular sobre a flora Amazônia, viajamos até lá e nos maravilhamos com tudo o que vimos. Como é especial a Mata Amazônica, entretanto, alguns norte-americanos já instalados com casa e tudo na região, buscavam embargar nossas pesquisas. Não só americanos, mas também franceses e ingleses, os quais retiram madeiras que servem para fabricar seus melhores perfumes. Jean Jacques, num dia em que amanheceu azedo, falou em francês com o Serge, industrial parisiense:

- O que você está fazendo com a madeira amazonense é um roubo. Não tem vergonha de roubar de um povo tão pobre e sofrido? Por que não paga ao governo brasileiro por explorar as matas do Amazonas. Tenha vergonha, rapaz! Eu não faria nunca o que você vem fazendo. Isso é roubo!

- Ora, Jean Jacques, se o próprio governo sabe e finge que não sabe, não sou em que vou denunciar. Sei que estou errado, pois se fosse na França, pelo menos, pagaria alta multa por explorar o que é próprio daquele país. Se ninguém está nem aí, vou fabricando meus perfumes e, curiosamente, depois vem como importação para eles mesmos. São os melhores perfumes que saem da minha fábrica de cosméticos e perfumes.

- Sem vergonha, explorando a ingenuidade deste povo que é tão bom! Mas cada um dá o que tem! Olhe só aquele sambacuim, tão alto e de folhas verdes-garrafa. O que você tira dele.

- Merda, Jacques! Então pensa que vou contar meus segredos guardados a sete chaves a você. Ou você é bobo ou eu... Na desordem deste país onde quem preside a Nação é um torneiro mecânico, perde-se o bom conselho como a semente entre os espinhos. O melhor é que o homem vai ficar por mais quatro anos no comando do País. Para a cabeça imbecil e louca não se tem touca... Compreende? Ele está lá preocupado com a Amazônia? Vai é sair do governo rico e, talvez, passe a morar na Itália, já que sua mulher tem dupla nacionalidade. Por que essa preocupação? No Brasil, ele é Presidente e escuta, sem ouvir; fala, sem pensar; tem olhos e não vê nada. Mas como beneficiou alguns pobres com as bolsas-família e outras coisinhas mais, a pobreza inteira vai votar nele.

- É. Cada louco com sua teima. Vim com a minha colega e amiga fazer uma pesquisa sobre a flora, mas está quase na hora de voltar, porque dou aulas na Faculdade de Botânica de Paris. Além do que, acho que estou apaixonado pela Cidara, que já se casou uma vez com um francês, que faleceu há quatro anos. Nem falei com ela sobre esta possibilidade, mas antes de embarcar, tocarei no assunto. Mulher brasileira não tem outra igual!

- Sou unido com um amazonense, a Cleonice, que é formada em Direito. Mas desde que me embrenhei nas matas, ela deixou o escritório para seu irmão resolver os problemas, e tem me ajudado muito ao identificar os nomes das árvores. Tem um faro tão forte, que se não fosse ela não descobriria o produto para um dos melhores perfumes que fabrico.

- Cada um se contente com sua sorte!

Cidara estava no barraco fazendo almoço e, felizmente, não ouviu a conversa dos dois. Apareceu, toda bem arrumadinha e perfumada com lavanda, e convidou o Serge para provar do assado que acaba de preparar. É caça que o Jean me trouxe ontem de madrugada.

- Se aceito! Estou com o estômago vazio e sua comida me fará bem!!

- Escuta aqui, Serge, vou desconvidá-lo, porque não o aceito como amigo. Desculpe-me, Cidara, mas não é o tipo de gente que desejo na nossa mesa. É uma merda!

- Impértinent! Cross looking! Honest man! Poor! Big-nosed! Goodbye!

- Cidara que era quatrilingue: francês, inglês, espanhol e português, aborreceu-se com as palavras dirigidas a Serge. Mas ainda conseguiu dizer: Disagreable! Slag! Latir! E voltou suas costas a ele, seguindo com Jean Jacques para o barraco.

- Ué, Serge, julguei ser seu amigo...

- Amigo. O homem é um ladrão da flora brasileira e com o que leva fabrica os mais caros perfumes, que ainda exporta para o Brasil. Please, aproveito para falar sobre algo sobre o que quero relembrar com muito carinho; nessa hora, Serge recordou o dia em que fez o pedido de casamento a Cidara. Foi assim:

- Recorda-se Cidara? Foi desse modo: aceita casar comigo e voltar a morar na França? – disse, receoso da resposta.

- Quero casar e também prosseguir com as nossas pesquisas. Talvez nesse casamento, tenha um dois filhos, porque tenho vontade de ser mãe!

- Oba! Ulalahhhhh! Vamos marcar a data? Quero fazer uma pequena reforma no meu apartamento, que é ao lado da Igreja de N. Sra. de Paris. Quem sabe a gente se une no próximo ano, em maio, que é o mês de Maria.

- Gostei da idéia, pois no dia 17 de maio foi o dia em que meus pais se casaram. Uma data bem significativa, não acha?

- Ótimo, meu amor! Eu a quero amar para todo sempre e viver ao seu lado, amorosamente, até que a morte nos separe. Você é linda, Cidara! Você também pensa assim?

- Ora, amorzinho!. Amo-lhe demais e quero estar ao seu lado até estar bem velhinha, de cabelos brancos.

- Confesso, que naquele dia do pedido, tive receio de você não aceitá-lo. Sei lá! Poderia não gostar tanto de mim quanto eu de você. Dê-me aqui um beijo de mulher apaixonada, para que eu creia, realmente, que você me ama até hoje!

Voltaram ao presente e estavam no aeroporto.

- Pois é, viajo hoje para Paris, para resolver algumas pendências na faculdade. No mês próximo, vamos fazer uma nova lua-de-mel em Petrópolis? Porque gosto de ir ao Museu Imperial, à casa de Santos Dumont, passear de charrete e ir visitar nosso amigo que ainda ficou no tempo do Império. É uma família tão educada e amável!

Um beijo cinematográfico encerrou a conversa dos dois e, em seguida, o alto falante do Aeroporto Tom Jobim chamava os passageiros da Air France para tomar seus lugares na aeronave.

Até breve, meu amor! – disse Cidara!

Adeus, Madame Raynal e se sinta a mais feliz das mulheres, pois te amo como no primeiro dia que lhe vi naquele bendito Seminário. Cidara ficou no Rio, porque precisava embalar alguns presentes que não pôde levar de uma só vez. Como recebemos bons presentes, e até uma televisão de plasma. Cara, não? Além de o professor Luchese aceitar ser padrinho do casal, ambos realizaram o grande sonho que acalentavam.

Naquela ocasião em que voltaram ao Rio, havia comemorado cinco anos de um casamento de muita compreensão, carinho e amor, no La Mole, restaurante preferido de Serge.

Explicação de algumas palavras, de autoria da Marta Arruda:

Cada um dá o que tem = não se pode esperar colher maçãs de um pé de jatobá...

Sambacuim = árvore própria do Amazonas.

Perde-se o bom conselho como a semente entre os espinhos = pessoa que não reflete e não aceita o bom conselho como a semente que morre entre os espinhos.

Para a cabeça imbecil e louca a cabeça não tem touca = a imbecil e louco nada há o que sirva em sua cabeça..

Cada louco com sua teima = cada maluco com suas impertinências.

Cada um se contente com sua sorte = Cada um tem o seu destino, com o qual há de se contentar.



Cidara veio de Paris, porque seu marido, jornalista, morreu vítima de um infarto. Não quis ficar isolada na “Cidade Luz”, se bem que possuía um belo apartamento perto do Champs Elisées. A floreira de seu apartamento nunca esteve tão bonita e, a vizinha de apartamento, no elevador, elogiava seus cuidados com as margaridas.

- É que venho de uma terra onde não só há flores de diferentes espécies, como matas inteiras que nos trazem seu perfume e enchem nossos pulmões do mais puro oxigênio.

- De onde és? – perguntou à vizinha, uma loura e olhos verdes.

- Sou de Cuiabá, Capital de Mato Grosso. Vim para Paris, novamente, porém já havia morado aqui durante meu primeiro casamento com o Albert, jornalista especializado em plantas exóticas. Depois conheci o Jean Jacques num seminário sobre Flora Brasileira. Nós dois ficamos encantados com aulas do professor Luchese, pois nos falava de modo tão natural que até parecia que estávamos entre as flores e, se quiser crer, acredite, pois até podíamos sentir os perfumes emanados das flores das quais falava. De ambas as partes ficou patente o amor pelas flores, então o Jean Jacques que veio passar uma semana em São Paulo, adiou a passagem para mais trinta dias.

- O seminário demorou tanto tempo?

- Não, nós dois passamos a fazer um estudo particular sobre a flora Amazônia, viajamos até lá e nos maravilhamos com tudo o que vimos. Como é especial a Mata Amazônica, entretanto, alguns norte-americanos já instalados com casa e tudo na região, buscavam embargar nossas pesquisas. Não só americanos, mas também franceses e ingleses, os quais retiram madeiras que servem para fabricar seus melhores perfumes. Jean Jacques, num dia em que amanheceu azedo, falou em francês com o Serge, industrial parisiense:

- O que você está fazendo com a madeira amazonense é um roubo. Não tem vergonha de roubar de um povo tão pobre e sofrido? Por que não paga ao governo brasileiro por explorar as matas do Amazonas. Tenha vergonha, rapaz! Eu não faria nunca o que você vem fazendo. Isso é roubo!

- Ora, Jean Jacques, se o próprio governo sabe e finge que não sabe, não sou em que vou denunciar. Sei que estou errado, pois se fosse na França, pelo menos, pagaria alta multa por explorar o que é próprio daquele país. Se ninguém está nem aí, vou fabricando meus perfumes e, curiosamente, depois vem como importação para eles mesmos. São os melhores perfumes que saem da minha fábrica de cosméticos e perfumes.

- Sem vergonha, explorando a ingenuidade deste povo que é tão bom! Mas cada um dá o que tem! Olhe só aquele sambacuim, tão alto e de folhas verdes-garrafa. O que você tira dele.

- Merda, Jacques! Então pensa que vou contar meus segredos guardados a sete chaves a você. Ou você é bobo ou eu... Na desordem deste país onde quem preside a Nação é um torneiro mecânico, perde-se o bom conselho como a semente entre os espinhos. O melhor é que o homem vai ficar por mais quatro anos no comando do País. Para a cabeça imbecil e louca não se tem touca... Compreende? Ele está lá preocupado com a Amazônia? Vai é sair do governo rico e, talvez, passe a morar na Itália, já que sua mulher tem dupla nacionalidade. Por que essa preocupação? No Brasil, ele é Presidente e escuta, sem ouvir; fala, sem pensar; tem olhos e não vê nada. Mas como beneficiou alguns pobres com as bolsas-família e outras coisinhas mais, a pobreza inteira vai votar nele.

- É. Cada louco com sua teima. Vim com a minha colega e amiga fazer uma pesquisa sobre a flora, mas está quase na hora de voltar, porque dou aulas na Faculdade de Botânica de Paris. Além do que, acho que estou apaixonado pela Cidara, que já se casou uma vez com um francês, que faleceu há quatro anos. Nem falei com ela sobre esta possibilidade, mas antes de embarcar, tocarei no assunto. Mulher brasileira não tem outra igual!

- Sou unido com um amazonense, a Cleonice, que é formada em Direito. Mas desde que me embrenhei nas matas, ela deixou o escritório para seu irmão resolver os problemas, e tem me ajudado muito ao identificar os nomes das árvores. Tem um faro tão forte, que se não fosse ela não descobriria o produto para um dos melhores perfumes que fabrico.

- Cada um se contente com sua sorte!

Cidara estava no barraco fazendo almoço e, felizmente, não ouviu a conversa dos dois. Apareceu, toda bem arrumadinha e perfumada com lavanda, e convidou o Serge para provar do assado que acaba de preparar. É caça que o Jean me trouxe ontem de madrugada.

- Se aceito! Estou com o estômago vazio e sua comida me fará bem!!

- Escuta aqui, Serge, vou desconvidá-lo, porque não o aceito como amigo. Desculpe-me, Cidara, mas não é o tipo de gente que desejo na nossa mesa. É uma merda!

- Impértinent! Cross looking! Honest man! Poor! Big-nosed! Goodbye!

- Cidara que era quatrilingue: francês, inglês, espanhol e português, aborreceu-se com as palavras dirigidas a Serge. Mas ainda conseguiu dizer: Disagreable! Slag! Latir! E voltou suas costas a ele, seguindo com Jean Jacques para o barraco.

- Ué, Serge, julguei ser seu amigo...

- Amigo. O homem é um ladrão da flora brasileira e com o que leva fabrica os mais caros perfumes, que ainda exporta para o Brasil. Please, aproveito para falar sobre algo sobre o que quero relembrar com muito carinho; nessa hora, Serge recordou o dia em que fez o pedido de casamento a Cidara. Foi assim:

- Recorda-se Cidara? Foi desse modo: aceita casar comigo e voltar a morar na França? – disse, receoso da resposta.

- Quero casar e também prosseguir com as nossas pesquisas. Talvez nesse casamento, tenha um dois filhos, porque tenho vontade de ser mãe!

- Oba! Ulalahhhhh! Vamos marcar a data? Quero fazer uma pequena reforma no meu apartamento, que é ao lado da Igreja de N. Sra. de Paris. Quem sabe a gente se une no próximo ano, em maio, que é o mês de Maria.

- Gostei da idéia, pois no dia 17 de maio foi o dia em que meus pais se casaram. Uma data bem significativa, não acha?

- Ótimo, meu amor! Eu a quero amar para todo sempre e viver ao seu lado, amorosamente, até que a morte nos separe. Você é linda, Cidara! Você também pensa assim?

- Ora, amorzinho!. Amo-lhe demais e quero estar ao seu lado até estar bem velhinha, de cabelos brancos.

- Confesso, que naquele dia do pedido, tive receio de você não aceitá-lo. Sei lá! Poderia não gostar tanto de mim quanto eu de você. Dê-me aqui um beijo de mulher apaixonada, para que eu creia, realmente, que você me ama até hoje!

Voltaram ao presente e estavam no aeroporto.

- Pois é, viajo hoje para Paris, para resolver algumas pendências na faculdade. No mês próximo, vamos fazer uma nova lua-de-mel em Petrópolis? Porque gosto de ir ao Museu Imperial, à casa de Santos Dumont, passear de charrete e ir visitar nosso amigo que ainda ficou no tempo do Império. É uma família tão educada e amável!

Um beijo cinematográfico encerrou a conversa dos dois e, em seguida, o alto falante do Aeroporto Tom Jobim chamava os passageiros da Air France para tomar seus lugares na aeronave.

Até breve, meu amor! – disse Cidara!

Adeus, Madame Raynal e se sinta a mais feliz das mulheres, pois te amo como no primeiro dia que lhe vi naquele bendito Seminário. Cidara ficou no Rio, porque precisava embalar alguns presentes que não pôde levar de uma só vez. Como recebemos bons presentes, e até uma televisão de plasma. Cara, não? Além de o professor Luchese aceitar ser padrinho do casal, ambos realizaram o grande sonho que acalentavam.

Naquela ocasião em que voltaram ao Rio, havia comemorado cinco anos de um casamento de muita compreensão, carinho e amor, no La Mole, restaurante preferido de Serge.

Explicação de algumas palavras, de autoria da Marta Arruda:

Cada um dá o que tem = não se pode esperar colher maçãs de um pé de jatobá...

Sambacuim = árvore própria do Amazonas.

Perde-se o bom conselho como a semente entre os espinhos = pessoa que não reflete e não aceita o bom conselho como a semente que morre entre os espinhos.

Para a cabeça imbecil e louca a cabeça não tem touca = a imbecil e louco nada há o que sirva em sua cabeça..

Cada louco com sua teima = cada maluco com suas impertinências.

Cada um se contente com sua sorte = Cada um tem o seu destino, com o qual há de se contentar.


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