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Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

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Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Domingo, Outubro 08, 2006

A Lua ilumina a minha vida

Um convite para uma Bodas de Diamante. Um lançamento de livro. Um encontro com um mano que não via há muito tempo. Um olhar que penetrou nos meus olhos e o desejo de ficar. O Rio de Janeiro virou uma sombra, porque Cuiabá tornou-se meu lugar. Aliás, dizem que os cuiabanos são como elefantes que caminham, caminham e, ao final retornam à terra de nascimento onde um dia irão fechar os olhos. Assim é, assim será!

A procura de uma casa. Encontrei, mas a mulher de meu irmão recusou-se ser a fiadora (teme pelo não pagamento e ter de pagar a conta), mas outro irmão legal vem e sorrindo assina o contrato. Endereço: Rua Odorico Tocantins, 126 – Bairro Quilombo, próximo da casa de tia Cacilda, a única irmã de minha mãe que está viva. Ela tem oitenta e cinco anos e seu humor varia; às vezes bate nas enfermeiras e em outras manda que prepare um refresco para tomarmos.

Penso no detalhe da navegação cotidiana em que nunca havia prestado atenção: um gesto, um passo de dança, o aceno de um olhar é agora uma brisa leve fazendo uma nova onda na minha emoção. Estava aqui o tempo todo, mas só foi revelado quando a maré encheu e a Lua iluminou tudo, inteiro, em cima e embaixo. Fiquei ligada e não deixe que os percalços me desanimassem. Estou feliz.

No segundo dia, quis pintar os cabelos e, após os quarenta e cinco minutos já era o momento de lavá-lo e ver se ficou bonito. Abro a torneira e não cai um pingo de água. E agora?!...

Corro no posto de gasolina “Pantanal”, meu vizinho, e conto o quase acidente, mas ele me oferece a pia e manda que eu lave os cabelos ali mesmo. Volto, pego a toalha e o xampu, então dentro de alguns minutos meus cabelos tornaram belos e avermelhados. Que alívio!

Ligo para a imobiliária que, surpreendentemente, manda um funcionário da SANECAP olhar e consertar a instalação de água. Rapidamente chega o caminhão e dois funcionários muito simpáticos rearranjam a instalação de água. Puxa vida!

João Pedro, meu irmão, está em busca de alguém e esse alguém não vem. Chora! Reclama da solidão, porque se acostumara com a companhia do amigo. Onde está você Anderson? Conforme o Edmundo ele viajou para Manaus e vai demorar por lá. Que bom!

Reencontro professor Pedro Benedito Dorilêo, que me oferece ajuda para qualquer problema. Foi ele mesmo que me levou para a Universidade Federal de Mato Grosso, e é de lá que recebo minha aposentadoria. Quer que o ajude a escrever um livro; prometo que assim que arrumar a casa e ajeitar o mano eu vou.

Aniversário do mano Nilo. A festa aconteceu na casa do sobrinho Rogério, onde Nilo e Sueli moraram por longos anos. Fomos e o tempo todo via a saudosa cunhada entre os presentes, ora dançando, ora pulando na piscina, ora contando uma piada. Foi uma noite de saudades de Sueli e o próprio Nilo sorria, mas notei na sua expressão uma saudade danada da mulher, que hoje vive num novo plano espiritual.

Ao voltar para casa, João Pedro me conta que o tempo todo ficou pensando na Sueli... Começa a chorar... Não sei o que fazer para contê-lo. Em questão de minutos esquece e começa a falar no Anderson.

Hoje é domingo e vou ao bairro do CPA, onde o JP morou por vinte e oito anos, porque está com saudades do Gabriel, seu afilhado. Vamos indo... Leva um quadro para presentear sua comadre. Gosta do CPA e diz que deseja voltar a morar aqui. Fico calada, porque ele não poderá voltar para cá devido a alguns “amigos ursos” que o exploram.

Enfim, estou em Cuiabá e, amanhã, segunda-feira, quero que o mano faça um exame importante para ver como está seu cérebro, pois anda muito confuso e diz coisas que desconheço.

Chama-me de Nerfititi e promete-me levar ao Egito tão logo ganhe o prêmio da Mega Sena. Tomara! Bem que gostaria de conhecer este pais que dizem ser espetacular. Outras vezes me chama de Elizabeth da Inglaterra... Ou uma índia da tribo Guaná... É um cérebro em ebulição.

Enfim, minha gente querida, meus leitores maravilhosos, a Lua ilumina a minha vida, em cima e embaixo e além. Fico lidadona e não vou deixar que as sombras escureçam meu caminho. Estou muito feliz. Sou cuiabana.

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