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Contos de Marta Arruda

Marta é descendente da tribo Guaná, já extinta, mas tem no seu íntimo sente um forte elo com os índios e as classes excluídas. Escreve desde menina, 12 ou 13 anos, e já foi premiada com um conto no colégio. O título: "Coró". Amo gente que é gente e quero melhorar mais a cada dia, para que nossa vida sejá mais feliz e autêntica.

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Nome: Marta Arruda Dias de Paiva
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Dois velhinhos gargalham

Marta de Arruda (marta_arruda@ig.com.br)

Oátomo e Omar são velhos irmão, aos quais o pai procurou registrar com nomes diferentes, ou seja, átomo (elemento material, indivisível, homogênico e invisível), e mar (massa de águas salgadas dos oceanos).

Cresceram na prosperidade de um lar e batalhadores, ambos alcançaram grande sucesso e ganharam muito dinheiro para manter razoavelmente bem suas famílias de mais de oito filhos.

Cada um em sua casa, no entanto se viam quase que diariamente, sentados na Praça Alencastro, para onde também vinham outros contemporâneos, principalmente para discutir a política do Município, Estadual e Federal.

Ambos compartilham de idéias idênticas e votaram no Lula, sem nenhum rancor do Geraldo Alkmin. Quando um tossia, outro espirrava.

Os filhos de ambos foram crescendo, estudando e conquistaram bons lugares nos patamares econômicos e financeiros. Oátomo viu formar em Medicina dois filhos, as moças são professoras universitárias, um dos rapazes é químico industrial, o caçula é engenheiro civil e está crescendo seu patrimônio a olhos visto. Os de Omar, um deles é professor de História (com doutorado na França), o outro é dono de agência de viagens e possui um montão de amigos, as moças são todas formadas e bem empregadas. Uma das netas reside na Dinamarca e, segundo sua mãe, é realizada e feliz.

São dois velhos simpáticos e que sabem rir como ninguém.

Gostam de ler todos os jornais de Cuiabá e, em seguida, jocosamente comentam os assuntos. Aposentados, não se pode afirmar que sejam ticos, mas comem um pacu assado por semana comprado no Mercado do Porto.

Plácidos, cheios de paz e amor, sequer sabem o que significa a angústia.

Sábios? Nem tanto, mas já conseguiram ler todos os livros de Gabriel Garcia Marquez, do qual são fiéis leitores.

São velhinhos e já não pagam ônibus, portanto, vão e vem até Várzea Grande, a olhar o progresso da terra do finado Licínio Monteiro, político matreiro e criador de gado, que misturava água no leite, mas quem ia ligar para aquela safadeza do velho? O leite era forte.

Olham, abrem a boca e continuam calados.

- Que saudades de Sarita Baracat! Ela ainda vive?

- Naturalmente, nem chegou aos oitenta; quem faleceu foi o marido dela.

De repente, os dois parecem sentir um vazio e, neste vazio, se movem como peixes dentro do aquário. Um é igualzinho ao outro, até nas mastigadas das dentaduras. Os novatos já não distinguem quem é um ou outro.

Na Várzea Grande, ao olhar para a casa do Fiote e dona Amália, comentam:

- Tanto o Júlio como o Jaime são duas raposas! Chegaram onde puderam porque tem massa cinzenta boa na cabeça. Dona Amália e Fiote souberam educar os filhos, não acha?

- E como!

Da política pulavam para os esportes e aos acontecimentos do mundo e do País. Excitaram-se ao pensar na vitória estrondosa de Lula, um operário que soube ser bom Presidente do Brasil. Como ajudou os pobres, né, Oátomo? Excitados, ao máximo, jogaram uma bolinha de papel amassado na cara do outro.

- Impossível! – gemeu um, ao comentar que o Apocalipse diz que vivemos os últimos dias na terra. Ambos soltaram silvos, guinchos, requebros, gemidos e exclamações. Omar soltou um pum. E de tanto darem risada, acabaram por rolar sobre a calçada, e repetiram: - É impossível!

A cena demorou alguns minutos, nem se sabe se era de extrema alegria ou de extremo horror, mas como eram velhinhos todos que passaram por ali tampouco ligaram para a cena dantesca.

Como já expliquei, são apenas dois velhinhos que gargalham da vida.

Começam as controvérsias do deputado federal Clodovil

Foto: Ag. Globo

Lembro-me de Clodovil quando Ireniza, minha sobrinha, completou 15 anos e sua mãe, Ed, foi de Curitiba a São Paulo, para encomendar o mais belo vestido de festa. Realmente é um estilista da melhor qualidade e deixou encantada não só sua mãe e a aniversariante como os demais participantes da festa.

Hoje, Clodovil elegeu-se deputado federal e, semanas após os resultados das urnas, inicia a série de palpites e críticas ou liga sua metralhadora giratória, quase igual a do político Carlos Lacerda, no tempo de Getulio Vargas.

Classifica o Holocausto como uma "manipulação" dos judeus, mas logo após tenta retratar-se. No entanto, afirmou a uma das rádios do Rio, na quinta-feira passada: “você acha que não tinha nenhum judeu manipulando isso (o Holocausto) por debaixo do pano?". Dias depois contradisse “não seria tão imbecil de falar dessa forma".

Para mostrar a que veio, também criticou o deputado federal eleito Walter Feldman (PSDB-SP), que classificou as declarações do futuro colega como caso de polícia. "Isso tudo não leva a nada, isso é uma bobagem. Que ele faça como eu. Que ele reze para acabar com a guerra que tem entre eles e os muçulmanos", provocou.

De pronto reagiu Clodovil: "Fala para ele que na próxima eleição, quando me candidatar de novo, vou fazer o possível para ter menos votos para ele não implicar comigo. Se eu pudesse, dava meus votos para ele não ficar tão triste, mas não posso fazer isso." Clodovil foi eleito com 493.951 votos e Feldman, com 146.495.

Lembro-me que Clodovil também chegou a agredir a vereadora Claudete Alves da Silva (PT-SP), a quem teve de indenizar após chamá-la de "macaca de tailleur". Que qüiproquó! Mas ela o processou, recebeu a grana e tudo foi devidamente acertado.

Lembremos um pouco sobre o Holocausto? Em 1933, Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha e estabeleceu um regime racista sob o enganoso título de Nacional-Socialista, ou do alemão NSDAP – Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). Esse regime foi baseado na doutrina racial de acordo com a qual os alemães arianos pertencem à "raça Mestre" (Raça Pura), enquanto os judeus eram conhecidos como "Untermenschen", subumanos, que não faziam parte da raça humana.

Em 1939, o exército alemão invadiu a Polônia e deu início ao que se tornaria a Segunda Guerra Mundial. Uma série de vitórias fáceis no começo da guerra deu a Hitler a oportunidade em implementar suas idéias. Ele começou a aniquilação do povo judeu, especialmente em solo polonês, onde vivia o maior contingente de judeus da Europa. Documentos descobertos depois da guerra mostram que sua intenção era exterminar todo judeu no mundo. Para realizar seu plano, suas forças primeiramente concentraram os judeus em guetos; estabeleceram campos de concentração e de trabalho, em muitos casos simplesmente campos de extermínio, e transportaram os judeus para esses campos. Os que não eram aptos para o trabalho eram logo exterminados. A maioria dos outros morreram de inanição ou em virtude de doenças. Na frente oriental, à medida que ocupavam cidades e aldeias, os judeus iam sendo mortos por pelotões de fuzilamento ou por gás, em caminhões fechados.

Durante os seis anos de guerra, foram assassinados pelos nazistas aproximadamente 6.000.000 de judeus – incluindo 1.500.000 crianças – representando um terço do povo judeu naquela época. Esta decisão de aniquilar os judeus, já prevista desde 1924 no livro "Mein Kampf", de Adolf Hitler, foi uma operação feita com fria eficiência, um genocídio cuidadosamente planejado e executado. Foi única na história em escala, gerenciamento e implementação, e por essa razão recebeu um nome próprio: o Holocausto.

Menos de cinqüenta anos depois, grupos racistas de neonazistas e grupos anti-semitas tentam negar que o Holocausto tivesse alguma vez existido, ou afirmam que a escala foi muito menor. Existem algumas causas para esse chamado "revisionismo", especialmente políticas e anti-semitas. Alguns desejam limpar o nazismo de sua injúria maior; outros acreditam que o Estado de Israel foi estabelecido para compensar os judeus pelo Holocausto, e ao negar o Holocausto estão procurando destituir Israel de seu direito de existir. Este é o motivo pelo qual os que negam o Holocausto têm muito mais suporte nos países árabes.

Mas o Holocausto existiu, como atestam os testemunhos documentais e pessoais, e o povo judeu decidiu impedir que seja esquecido, para que, com sua lembrança, fique assegurado que o mundo não permitirá jamais que torne a acontecer com os judeus ou com qualquer outro povo ou grupo na Terra.

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